O abandono que revolta
Enquanto Birigui ganha um novo hospital, o que será dos pacientes do hospital regional de Mirandópolis?
Em visita ao Hospital Regional de Mirandópolis, Guilherme Pugliese demonstra indignação com as condições da unidade e questiona prioridades do Governo do Estado
Por Dorivaldo Bernardo
Há momentos em que a realidade dispensa discursos. Basta abrir uma porta, percorrer um corredor e observar de perto aquilo que a população enfrenta diariamente para compreender que determinadas situações ultrapassam a indignação política e alcançam o limite do desabafo humano.
Foi esse o sentimento manifestado por Guilherme Pugliese durante uma visita ao Hospital Regional de Mirandópolis. Diante do que classificou como abandono da instituição, o candidato a Deputado Estadual por Andradina não escondeu a revolta ao comparar a situação da unidade com os investimentos anunciados pelo Governo do Estado na construção de um novo hospital em Birigui.
A pergunta que emerge dessa realidade é inevitável: e como ficarão os pacientes do hospital regional de Mirandópolis e de toda a região?
Por que não cuidar do que já existe?
A construção de um novo hospital representa, em princípio, um investimento importante em saúde pública. Mas a expansão da rede não deveria servir de justificativa para deixar estruturas existentes perderem qualidade, capacidade de atendimento e dignidade.
É justamente essa contradição que incomoda.
Enquanto uma cidade recebe uma grande obra hospitalar, outra unidade, que atende moradores de uma região inteira, enfrenta questionamentos sobre suas condições e manutenção.
A saúde pública não pode ser tratada como uma disputa entre municípios, tampouco como um mapa de investimentos definido pela conveniência política. Cada paciente que depende de atendimento especializado tem nome, família, história e urgência, “Como se não bastasse a dependência do sistema CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de saúde) que submete cidadãos a uma espera humilhante e angustiante por uma vaga hospitalar.” Enfatizou Puguiese.
Por que não melhorar a estrutura que já temos? Por que não modernizar, ampliar e fortalecer o hospital que atende a população de Andradina, Mirandópolis e dos municípios vizinhos?
São perguntas simples, mas que exigem respostas de quem administra os recursos públicos.
A ausência de voz política e o preço pago pela população
Na avaliação de Guilherme Pugliese, o cenário também expõe uma fragilidade que há anos compromete a capacidade de reivindicação da região: a falta de um representante na região na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
Para ele, a ausência de um Deputado Estadual comprometido com as demandas locais não é apenas uma questão de representatividade institucional. Pode significar menos força para cobrar investimentos, defender estruturas existentes e disputar espaço nas decisões que afetam diretamente a vida dos moradores.
É preciso, contudo, compreender que a presença de um parlamentar não garante, por si só, a solução dos problemas. Mas a representação política pode ampliar os canais de cobrança, articulação e defesa dos interesses regionais.
E é justamente esse espaço que Andradina precisa voltar a ocupar.
A região não pode continuar esperando
O desabafo de Pugliese toca em uma ferida conhecida: municípios do interior frequentemente precisam disputar recursos, atenção e prioridade em um Estado de dimensões continentais.
A questão não é ser contra Birigui ou contra a construção de um novo hospital. A questão é perguntar se o desenvolvimento de uma região precisa acontecer em detrimento da estrutura de saúde de outra.
Andradina e Mirandópolis não podem ser lembradas apenas quando seus moradores precisam enfrentar longas viagens em busca de atendimento. A população merece uma rede regional fortalecida, hospitais equipados e investimentos compatíveis com suas necessidades.
O que está em jogo não é apenas a condição de um prédio hospitalar. É o direito de milhares de pessoas a um atendimento digno, próximo e eficiente.
Um alerta que precisa ser ouvido
A indignação demonstrada durante a visita ao Hospital Regional de Mirandópolis não deveria ser encarada apenas como mais um episódio de campanha eleitoral.
Ela coloca sobre a mesa uma discussão que precisa envolver prefeitos, vereadores, gestores de saúde, autoridades estaduais e, principalmente, a população: quais são as prioridades para a saúde regional e quem está disposto a defendê-las de maneira permanente?
A região de Andradina não pode continuar assistindo às decisões serem tomadas longe de sua realidade sem reagir.
Porque, quando falta investimento, quem paga a conta não é o discurso político. É o cidadão que espera por uma consulta, uma cirurgia, um exame ou um atendimento de urgência.
E talvez seja justamente essa a maior indignação de todas: perceber que, enquanto alguns lugares avançam, outros continuam esperando que alguém olhe para eles.
Dorivaldo Bernardo
Revista Versátil e Jornal A Verdade
Guilherme Pugliese
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